Eleições 2014 – Dilma ou Aécio: economia e educação

Eu votarei Dilma 13 e quero explicar o porquê. Poderia apontar as várias discordâncias que eu tenho com os projetos do PSDB ou listar as inúmeras conquistas atingidas no governo do PT, mas quero fugir desses assuntos genéricos partidários e falar de questões que têm ligação direta com a minha experiência pessoal: TRABALHO e EDUCAÇÃO.

TRABALHO: Há 50 anos meu avô fundou uma empresa que prospera até hoje, uma longevidade rara no cenário empresarial brasileiro. Com o desenvolvimento do négocio, é normal termos que recorrer a financiamentos – a maioria subsidiados pelo governo – principalmente para comprar maquinário da construção civil e agrícola. Os juros desses financiamentos são bem razoáveis, o que é benéfico para a sobrevivência e desenvolvimento da empresa e seus colaboradores.
O QUE ME PREOCUPA?
A lembrança de que nos oito anos em que o PSDB esteve no poder, a taxa básica de juros era quatro vezes maior do que a média atual – a Selic chegou ao patamar inacreditável de 45% em 1998, e hoje não passa de 11% desde 2011. Isso é preocupante não só pelo “patrimônio” da minha família, mas sim pela manutenção dos 700 homens e mulheres que estão em nossa folha de pagamento.
Não sou economista, mas ao meu ver, a conhecida política econômica do tucano Armínio Fraga só beneficia banqueiros e rentistas, os únicos que se dão bem com juros altos. O cidadão comum e pequenos e médios empreededores, que precisam de eventuais empréstimos para tocar suas vidas, ficariam reféns dos credores.
(FONTE: http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS)

EDUCAÇÃO: Ingressei na UFF em 2006 e hoje estou na segunda graduação na mesma universidade. Todo esse tempo dentro daquela instituição me permitiu acompanhar diversos avanços no ensino federal, que vão desde a satisfação dos professores, passando por melhorias de infra-estrutura e chegando aos vários programas do Ministério da Educação.
Só pra citar um exemplo, este ano o MEC iniciou o Inglês Sem Fronteiras, um programa que prepara universitários para o teste TOEFL gratuitamente – o que leva a um melhor aproveitamento do Ciências Sem Fronteiras e, consequentemente, fomenta a internacionalização das nossas universidades.
O QUE ME PREOCUPA?
A lembrança de como o setor público foi maltratado durante o governo PSDB. Sabemos também que os cortes nos gastos públicos são uma das prioridades dos tucanos. Portanto, isso representaria uma queda no repasse de suporte dado às instituições públicas de ensino. A precarização e volta à “era das trevas” do ensino federal seria um tremendo retrocesso.
(FONTE: http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI69811-EI994,00-UFMG+pode+ficar+sem+luz+agua+e+telefone.html)

É óbvio que o nosso país ainda tem problemas gravíssimos e há diversas críticas que cabem ao governo do PT. Porém, mesmo que as coisas as vezes não avancem na velocidade que gostaríamos, me mantenho acreditando em tempos melhores e acredito, sim, que o Brasil pode ter um belo futuro pela frente.
Como alguns sabem, namorei uma italiana por três anos e pude conhecer bem o seu país, sua família e amigos. O que me impressionou foi o sentimento europeu de apatia, desânimo, descrença e aquela nostalgia de que os tempos bons já se foram. No Brasil eu tenho uma impressão diferente, nossos jovens estão clamando por cidadania, os universitários cheios de projetos, os empreendedores buscando se aprimorar, todos mirando um futuro brilhante e próspero.
É por isso que não desisto do Brasil (pegando um slogan emprestado, mas que cabe perfeitamente). Hoje eu tenho amor por esse país, e somos nós, cidadãos, que escolhemos os caminhos que vamos tomar.

Incômodo – Indignação – Revolta

Conversando outro dia com minha namorada, falando sobre sair para correr e horários que preferíamos fazer isso, comentei que gostava de fazer minhas corridas ainda de manhãzinha, para pegar o sol nascendo durante o exercício, quando ainda não faz calor e tem pouca gente na rua. Como resposta, escutei dela a seguinte frase: “Também adoro esse horário! É uma delícia! Mas tenho medo. A orla fica muito vazia e tenho medo de ser assaltada ou estuprada enquanto corro. Já vi várias situações tensas e prefiro evitar esse risco”.

A conversa aconteceu há algumas semanas, e desde então não consigo tirar essa declaração da cabeça. A que ponto chegamos? Uma mulher é impedida de sair de casa para se exercitar por medo de que algum energúmeno (desculpem-me, mas me faltam termos para definir um ser desses) lhe faça alguma coisa.

Neste mesmo período, minha indignação se tornou ainda mais forte quando li a notícia de que algumas mulheres haviam sido vítimas de estupro próximo à ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, na altura da Escola de Remo do Vasco da Gama, em um horário semelhante ao qual estava me referindo, reafirmando que o medo que minha namorada sentia era legítimo.

Até quando viveremos em uma sociedade onde fatos como esse interferem em nossa rotina e nos fazem mudar nossas preferências por medo? Por que ela, pelo simples fato de ser uma mulher e estar na rua em determinado horário, é um alvo “certo” de trogloditas desse tipo? E o que fazem esses animais que não estão atrás das grades ou ainda – e mais importante -, por que eles ainda existem?

Diante de um tempo no qual a mídia alternativa nos permite acesso a tantos depoimentos e queixas como essa, deixo aqui minha indignação pelo fato e minhas indagações, ainda procurando explicações e soluções para esse absurdo sociocultural.

Ditadura não é coisa do passado

Hoje vou escrever sobre uma coisa que eu não costumo comentar nem com quem é próximo a mim. Um drama que eu já conheci de perto e que já afetou a minha vida diretamente.

Nessa tarde, o jornal O Globo publicou uma notícia sobre o sequestro relâmpago sofrido pelo sociólogo Paulo Baía. Depois de ter dado entrevistas nas quais criticava a ação da Polícia Militar nas manifestações do Rio, Baía foi abordado por homens armados e encapuzados durante uma caminhada matinal no Aterro do Flamengo. O sociólogo foi forçado a entrar num carro preto e, enquanto rodavam pela cidade, quatro encapuzados o ameaçavam e davam recomendações de “nunca mais falar sobre a PM nos jornais”, pois, senão, aquela seria a sua “última entrevista”.

O pior de tudo, é que esse não é um caso isolado.

Quem se informa minimamente sobre o que acontece no RJ, sabe que o deputado Marcelo Freixo precisa andar acompanhado de seguranças por causa das ameaças de morte que sofre. Essas ameaças, inclusive, já o forçaram a sair do país para a sua própria segurança. A maior parte dessas ameaças começou quando o deputado liderou a CPI das Milícias, incomodando a máfia armada que comanda parte do Rio de Janeiro. Nesta mesma conjuntura, o irmão de Marcelo, Renato Freixo, foi assassinado em 2006 por essa mesma corja.
Outro caso mais conhecido é o do antropólogo Luiz Eduardo Soares, que também é um denunciador contra a Polícia Militar. Na época (2000), Soares acabara de deixar o cargo de coordenador de Segurança Pública do Estado e, por motivos de segurança, teve que se mudar para os Estados Unidos com toda sua família.

O pior de tudo, é que esses casos também não são isolados.

Meus pais sempre foram militantes ativos e, por isso, sempre tiveram contato com movimentos sociais e populares. Em 2006 e 2011, durante viagens à Europa, visitamos amigos do meu pai que moram na Alemanha e na Suíça. Durante as visitas, eu conheci três pessoas cujas histórias de vida dariam um livro. São duas mães que tiveram seus filhos assassinados e Wagner dos Santos, o último sobrevivente da Chacina da Candelária. Além de serem vítimas da violência do Estado, os três compartilham o fato de terem sido obrigados a deixar o país por causa das ameaças constantes.

As duas mães (infelizmente esqueci os nomes) tiveram seus filhos inocentes executados pela PM em favelas do Rio. Enterrar o próprio filho é uma tragédia que nenhuma mãe merece enfrentar, mas elas tiveram a força de transformar esse trauma em sua luta particular. As duas se uniram com outras mães e viraram símbolo de uma luta por Justiça, pelos Direitos Humanos e contra a violência policial. Tornaram-se ativistas e testemunhas oculares de toda violência estatal que existe no nosso país. E, obviamente, a batalha dessas mães incomodou muita gente. Elas passaram a ser ameaçadas de morte e sofrer atentados. A única solução encontrada para mantê-las em segurança foi a mudança para fora do país. Organizações internacionais que lidam com os Direitos Humanos, como a Anistia Internacional, cuidaram das burocracias necessárias para um pedido de asilo político e também forneceram abrigo e auxílios para começarem nova vida na Alemanha.

Na Suíça, a história do ex-menino de rua Wagner me impressionou muito. Ele é um cara grandalhão e desengonçado, com rosto e corpo deformados por causa dos tiros que levou, mas que, apesar de tudo, mantém um bom humor típico dos brasileiros. Wagner sobreviveu à Chacina da Candelária – que completou 20 anos essa semana – e acabou se tornando a principal testemunha desse episódio. Com o seu testemunho, os principais envolvidos no massacre foram identificados, a maioria eram Policiais e ex-Policiais. Porém, apenas três foram indiciados e, mesmo assim, cumpriram a pena em liberdade. Wagner era protegido pelo Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas, mas isso não evitou ameaças e atentados. É incrível como ele ainda está vivo mesmo depois de ter tomado tantos tiros, inclusive na cabeça. É um verdadeiro guerreiro. Quando eu e Wagner nos conhecemos, ele me mostrou as sequelas dos tiros enquanto esperávamos o jantar na casa de um amigo do meu pai. Também conversamos sobre música (ele tem uma banda de forró em Genebra, onde vive por asilo político) e sobre amenidades.

Quem me conhece sabe que eu morei no Rio até os 13 anos e, em 2001, me mudei para a Região Oceânica de Niterói. Na época, eu agi como qualquer pré-adolescente. Não queria mudar de escola, mudar de amigos, mudar de hábitos… Mas tive que acatar a decisão dos meus pais. Foi só muito tempo depois, quando eu já havia me acostumado com a vida do outro lado da poça, que eu fui descobrir a motivação daquela mudança. Minha família também tinha sido ameaçada. A militância e o ativismo dos meus pais também tinham incomodado os porcos fardados. Eu era criança e não entendia as coisas muito bem, mas sentia uma tensão no ar toda vez que chegava uma correspondência em casa. Lembro da vez que recebemos uma caixa de brinquedo e meu pai não me deixou abri-la imediatamente. Antes, ele pegou uma faca, levou a caixa para a varanda e falou “nunca abre pelo lado de abrir”, metendo a faca no fundo da caixa e tirando o boneco de pelúcia lá de dentro para conferir. Era uma desconfiança constante. Até que no ano 2000, minha mãe engravidou do terceiro filho – na verdade, filha – e, então, começaram os preparativos para se mudar do Rio. Acredito que meus pais chegaram ao denominador comum de que era melhor criar os três filhos num lugar mais afastado, mais pacato. No final das contas, me transformei num belo espécime de niteroiense.

Ver o que tem acontecido hoje no Brasil e confrontar tudo isso com minhas memórias é uma faca de dois gumes. Por um lado, meu sentimento de indignação se infla, pois vejo que as mesmas perseguições de 10, 15, 20, 30 anos atrás continuam a acontecer. Mas por outro, uma fagulha de esperança e entusiasmo cresce dentro de mim. Temos assistido, cada vez mais, denúncias e críticas às violações dos Direitos Humanos e a todo tipo de violência estatal. Esse assunto está deixando de ser encarado como coisa de “maconheiro vagabundo que defende bandido” e, finalmente, começando a ser levado a sério. Parcelas da população que antes ignoravam e negligenciavam essas questões estão começando a se sensibilizar e a se mobilizar contra tais atrocidades. Portanto, apesar da guerra entre o pessimismo e o otimismo continuar pegando fogo dentro da minha cabeça, acredito que a juventude de hoje tem uma potencialidade incrível para lutar e brigar por um país mais justo. As redes sociais estão do nosso lado, basta usá-las. As ruas estão do nosso lado, basta tomá-las.

Dá no mesmo?

baleyTô lendo um livro sobre a origem das civilizações e o capítulo sobre a Mesopotâmia diz assim:

“A primeira norma de valor aprovada socialmente foi a cevada, alimento vital de que todos necessitavam, e para cuja obtenção era necessário trabalhar e produzir mercadorias. Ainda no período dinástico primitivo, os salários e rendas eram pagos principalmente em cevada.”

Hoje, somos pagos com uma invenção revolucionária chamada DINHEIRO, mas parece que as coisas não mudaram muito nesses 4 mil anos. Afinal, continuamos gastando todo o salário em cevada…

O fim da Polícia Militar

Propor o fim da Polícia Militar no Brasil pode soar irreal e absurdo pra muita gente. Honestamente, não sei se essa é uma resolução para se bater o martelo agora, pois é uma questão muito profunda e complexa. Porém, acredito que um debate nesse sentido é totalmente necessário. E existem argumentos e fundamentos para isso.

PM

Nos últimos episódios que temos vivido em todo Brasil, a violenta repressão policial ficou evidenciada para os milhões que foram às ruas e pra outros milhões que acompanharam os relatos nas redes sociais e noutros canais alternativos de comunicação. Praticamente em tempo real, assistimos diversas denuncias sobre a série de atrocidades e sobre todo o pavor que a PM do Rio de Janeiro levou à vários pontos da cidade, principalmente na noite do dia 20 de junho.

Todos esses relatos e denuncias serviram para trazer à tona um assunto muito antigo, porém sempre deixado de lado: a essência repressiva da Polícia Militar brasileira. A classe média viveu na pele toda a violência massacrante que sempre existiu nas favelas e periferias – onde não existe smartphone para filmar. E é assim que começo minha argumentação sobre o debate sobre o fim da PM.

CENÁRIO INTERNACIONAL

Há pouco mais de um ano, em maio de 2012, a ONU, através de seu Conselho de Direitos Humanos, recomendou o fim da Polícia Militar no Brasil. (procurem no Google; há notícias no Estadão, Folha, G1 etc). A recomendação partiu da Dinamarca e o documento votado pelo grupo de países da ONU chega inclusive a utilizar a expressão “esquadrões da morte” e propõe “abolir o sistema separado de Polícia Militar”.

Isso é um recado para o próprio Governo Federal. Se há uma evidente vontade de tornar o Brasil um país com peso nas decisões internacionais, a primeira coisa a fazer é ter instituições respeitadas no cenário mundial. Nosso país quer fazer parte do Conselho de Segurança da ONU, para assim alcançar um lugar importante nas tomadas de decisões internacionais. Portanto, a meu ver, ter uma Polícia que é rechaçada pela própria ONU já é um ponto negativo para essa inclusão.

Fazendo uma comparação besta, se assistirmos um filme policial de Hollywood vemos que a Polícia americana é composta por inspetores, agentes, detetives, xerifes (quando se passa numa pequena cidade de interior) etc. Enfim, isso mostra que a estrutura baseada em patentes militares da PM brasileira é algo próprio daqui. Pelo menos que eu saiba, nenhuma Polícia do mundo é composta por sargentos, coronéis etc. Pelo menos não nos países desenvolvidos.

ARGUMENTO HISTÓRICO

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro se vangloria por ser a mais antiga do país. Criada em 1809, a PM do Rio surgiu com a vinda da Corte Portuguesa para a então futura capital do Império. Chamada na época de Divisão Militar da Guarda Real de Polícia, era uma organização que servia mais de guarda-costas da Corte Portuguesa, e não para atender e servir ao povo em geral. Ou seja, desde seus antecessores, a Polícia Militar tinha como principal orientação a proteção de uma determinada parcela da população e o esforço por “manter a ordem pública, até com o sacrifício da própria vida”, como evidencia seu atual Estatuto. Essa posição se manteve em todo o processo de Independência do Brasil (processo que também foi articulado por uma pequena parcela da população).

Também vale lembrar que o Brasil passou por um período sombrio de Ditadura Militar nas décadas de 60 e 70 do século XX, e cujos fantasmas vivemos até hoje. Durante o Governo Militar, a PM se tornou um braço ainda mais crucial para a repressão, compondo a chamada Força Pública. Desde então, não houve uma reforma profunda nos paradigmas operacionais da Polícia Militar. Portanto, será que não é hora de rever a situação, obrigações, deveres, direitos e prerrogativas dessa corporação?

Enfim, como disse, realmente não sei se é o momento certo para bater o martelo sobre essa questão, mas seria interessante o início de um amadurecimento nas discussões e nas reflexões que vão nesse sentido. Afinal, vivemos um momento único na história do país. Mesmo de forma difusa e pouco organizada, o povo tem mostrado que tem força, condições e poder de exigir mudanças profundas. Eu, particularmente, estou tomado por um entusiasmo que nunca senti antes em minha vida e espero que essa onda de protestos resulte em mais do que pequenas reformas. Espero ver um país mais justo, mais pacífico e que realmente me dê orgulho de ser brasileiro.

Você já viu jornal e vídeo do youtube, se quiser mais um relato sobre a alerj lá vai:

Cheguei primeiro no IFCS da UFRJ, estava uma galera da UFRJ se reunindo lá, mas assim que eu cheguei começaram a marchar. Fomos até a presidente vargas onde nos esprememos na via auxiliar, onde já éramos muitos para caber só naquele espaço. Seguimos gritando palavras de ordem variadas, sobre saúde e educação entre outras revindicações. As pessoas nas janelas apoiavam jogando papel picado, uma cena linda e assim a passeata seguia sem liderança mas com uma ordem incrível.


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Na entrada da Rio Branco, esquina com a vargas, nosso grupo encontrou outros grupos que entravam na rio branco e ficou uma enorme massa de pessoas para entrar na rio branco. Eu e meu grupo de amigos ultrapassamos pela calçada até o meio da passeata para encontrar outras pessoas. Tudo corria muito bem, a quantidade de gente era gigantesca, a passeata andava bem devagar devido ao numero de pessoas. Acompanhamos a passeata devagar até chegar na cinelândia, linda, pessoal organizado, tudo na mais perfeita ordem, passou até um grupo de 50 policiais do lado da passeata, tranquilo.

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Chegamos na cinelândia e parte da passeata virou automaticamente para a a Alerj, mas era tanta gente que o resto da passeata parou, porque não entrava mais ninguém na cinelândia. Depois de procurar outras pessoas decidimos ir com a parte que foi para a Alerj, por achar que seria o rumo natural da passeata. Continuamos cantando e gritando palavras de ordem, foi nessa hora que soubemos por um carro de som que a passeata tinha reunido 100 mil, comoção geral, alegria, tudo muito bom, soltaram rojões e etc. Quando chegamos perto da Alerj, da parte mais elevada em que estávamos, podíamos ver os primeiros que chegaram exatamente em frente da Alerj. Aí a passeata pacifica mudou.

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Não sei dizer quem começou as agressões, mas vi um rojão sendo jogado na escadaria da alerj e logo depois bombas de efeito moral e de gás no meio da passeata. Mas aí que aconteceu uma coisa interessante, durante 30 segundos ou menos teve a correria para longe, mas logo depois eles voltaram gritando para cima dos policiais. Muitos deles estavam preparados, jogaram cabeções de nego, cocos, pedaços pau, o que estivesse na mão para cima dos policiais, que surpreendidos fugiram para dentro da  alerj. Logo depois foi jogado um coquetel molotov na porta do edifício. Com a saída dos policiais, os ânimos se exaltaram ainda mais, apesar dos pedidos de “sem vandalismo” e “sem violência” do resto da passeata.

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Tiveram vários enfrentamentos com policiais, nas ruas laterais, todos da mesma forma que o primeiro, corriam das bombas mas voltavam correndo jogando pedras e bombas com o apoio do resto da passeata e colocavam a policia pra correr. Muito gás nessa hora, tive que recorrer ao vinagre várias vezes. Fizeram uma fogueira no meio da rua, queimaram um carro, picharam a igreja e o prédio da alerj. Muita gente ali não concordava com os vandalismos, mas não abandonaram as manifestações. Não sei se por curiosidade, se achavam que voltaria a ser pacífica, ou se apoiavam um protesto mais incisivo.

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Algumas pessoas foram no extremo, mas as mesmas pessoas que avançaram contra o gás, as bombas e os escudos da policia de peito aberto, deixaram os carros de bombeiro e do samu passar. Depois do confronto inicial e já sem a policia, parece que o pessoal mais extremista foi para uma outra rua quebrar banco, nessa hora desci para frente da alerj e dei uma volta geral na praça, passei na frente da porta da alerj e vi os policiais entrincheirados com escudos encostados na porta. Tirei fotos da fogueira e do carro queimado. Depois que parecia tudo mais tranquilo fomos embora para casa de barcas.

 

 

#VemPraRua

Nós vivemos um tempo diferente de tudo o que já se passou pelo mundo. É um momento de transição onde nada está muito definido. Uma época complexa onde é difícil lutar por uma única bandeira e é difícil eleger um único inimigo. Na época da ditadura no Brasil, éramos todos contra os militares. Durante a Guerra Fria, nós escolhíamos um lado – o comunismo ou o capitalismo. Hoje é mais complexo. Tudo é muito pulverizado e indefinido. Mas uma coisa ficou clara nessa última semana: NINGUÉM AGUENTA MAIS SER MASSACRADO POR TODOS OS LADOS. (Não, não são só 20 centavos)

As últimas manifestações foram um recorte preciso do tempo em que vivemos. Pós-modernidade, redes sociais, descrença em utopias, pluralidade e falta de diretrizes claras. De repente, é a partir dessa aparente inconsistência que surge um movimento consistente. É a partir de um estopim que o barril de pólvora explode e gera uma reação em cadeia. Talvez falte uma “teoria revolucionária” para embasar toda essa “ação revolucionária”, mas pelo menos o pavio foi aceso e, por enquanto, existe muita pólvora pra se queimar. Aos poucos, nossos ânimos exaltados e revoltados vão se alinhando com a nossa cabeça pensante e, uma hora ou outra, toda essa indefinição se consolide numa só direção.

E essa direção não precisa ser algo totalmente novo. Pode muito bem ser estruturada na velha e conhecida – porém esquecida – luta de classes. Por que não? Se eu e você, que somos da classe média, nos sentimos tão sufocados no nosso dia a dia, imagine as classes populares que não têm acesso a nada e não têm um mínimo de dignidade em suas vidas. Se eu e você, que somos da classe média, nos revoltamos contra a truculência da polícia nas recentes manifestações, imagine as classes populares que convivem com isso diariamente nas favelas e periferias onde moram. Só esse esclarecimento já nos mostra quanta gente está do nosso lado.

Portanto, quem é o inimigo? Contra quem devemos nos rebelar? SE A GENTE AINDA NÃO SABE, VAMOS PRA RUA DESCOBRIR.